Courbet, por volta de 1866, inspirou-se em não se sabe bem que musa e, com o seu pincel deixou-nos em legado a "Origem do mundo" (Musée d'Orsay).
É chocante? Sim, provavelmente. Confronta-nos com a nudez (bem de frente!) e obriga-nos a pensar de onde todos nós saímos.
Afinal, como podem a nudez e a natureza ser chocantes? Tem a ver com a mentalidade e os hábitos da sociedade em que vivemos. Desde há séculos que a cultura da religião católica impinge a sua moral e torna pecado aquilo que é tão somente natural.
Com esta obra, Courbet, além de criar arte, marca uma clara ruptura com a sociedade em que vivia.
Hoje, além de podermos usufruir da bela paisagem proposta por Courbet, podemo-nos deliciar com a leitura de uma notícia no Púbico que dá conta de um acontecimento extraordinário mais de uma século depois da pintura ter sido realizada: a PSP de Braga vem salvar a moral do mundo (pelo menos, do mundinho português!) apreendendo uma série de livros com capa pornográfica.
Atentado ao pudor, meus senhores! Atentado à moral e aos bons costumes! Mas afinal onde estamos?!
Não podem circular livros com estas imagens, muito menos em feiras do livro, em Braga, frequentadas por criancinhas, boas famílias, padres, freiras, bispos e outros que tais!...
Por isso, resta-me desejar à PSP de Braga o melhor na sua luta contra estas barbaridades pornográficas! E já agora, aproveitem os livros que apreenderam para tentarem fazer com que o seu grau de ignorância e de falsa moral decresça de uns milímetros.
Afinal, a esperança é a última a morrer...
Origens de cá e de lá...
24 de Fevereiro de 2009
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temas: Pintura
Kwak! Kwak!
3 de Fevereiro de 2009
Não vão pensar que estou a imitar o grasnar de patos de uma maneira chique. Nada disso!
Depois de um belo dia de trabalho, depois de esturricar mais uns neurónios ("quer bem passados ou mal passados?"), venho oferecer-vos o verdadeiro néctar dos deuses: a Kwak.
Ora, aqui têm, bem fresquinha, servida no seu copo tradicional: uma bela ruiva!
Ligeiramente mais graduada que as nossas Sagres e Superbock, ela vai tão bem pelo gargalo abaixo que nem se nota... Tomem cuidado os aventureiros intrépidos: verter esta maravilha no seu copo não é para todos e chegar ao fim de meia dúzia delas e manter-se de pé, ainda menos! Bebê-las é que não custa (talvez um pouco, na carteira que vai ficando mais leve)!
Enquanto vos deixo a sonhar com estes sabores, lanço a questão: mas porque raio inventaram um copo assim?! Deve ser do clima da Bélgica... dá-lhes volta ao miolo...
Desenganem-se (ou talvez não), meus amigos!
A história é ainda melhor:
"Era uma vez um cocheiro que não queria abandonar a sua diligência. Mas, pobre alma!, que sede que ele tinha!..."
Então, brindemos e bebamos que a noite ainda é uma criança!
Kwak! Kwak!
por L. Carvalho | 0 comentário(s)
temas: Cerveja
Subir e descer ao ritmo de M.C. Escher...
28 de Janeiro de 2009
"So let us then try to climb the mountain, not by stepping on what is below us, but to pull us up at what is above us, for my part at the stars; amen"(M.C. Escher 's texts © Cordon Art B.V.)
"Ascending and Descending": o desenho
"Ascending and Descending": "the virtual ride"
The Official M.C.Escher Website: http://www.mcescher.com/
por L. Carvalho | 0 comentário(s)
temas: Perspectivas
Os "Blues" de Boris Vian
26 de Janeiro de 2009
Ora, bamos lá aos blues. Sim, realmente podem deleitar-se a ouvir os sons e a voz do Boris enquanto lêem um livro do Vian.
Proposta de hoje: "Blues pour un chat noir et autres nouvelles".
Não é certamente o livro mais conhecido desta figura da literatura francesa, mas é um livro que tem 5 belas histórias que podem ser lidas naquelas alturas em que ... não há tempo.
Como este blog é pensado para vós - para nós - aqueles que não têm tempo, aqui fica a sugestão.
Deixo-vos um "cheirinho" da primeira história do gato, esse, o dito "chat noir", é um verdadeiro poço de surpresas e, para gato, consegue ser muito falador!
Será que o nosso "gato preto" é uma encarnação deste compadre francês que gosta de ir para os bares para o engate enquanto se enfrasca até cair?! Um mistério que fica em aberto. Talvez o "black cat" do Edgar Allan Poe nos ajude a elucidar este complot de gatos...
"Blues" porquê? Basta uma pequena descrição de Vian para se ficar com uma ideia:
Un terrible gros chat, avec des yeux jaunes et une moustache à la Guillaume II. Ses oreilles en dentelle prouvaient sa virilité entière et une grosse cicatrice blanche dégarnie de poils, coquettement mise en valeur par un liseré violet, lui traversait le dos.E o fim? O que acontece no fim?!
Ah! Pois! A história fica para lerem quando não tiverem tempo!
por L. Carvalho | 3 comentário(s)
temas: Leituras
A maré encheu
19 de Janeiro de 2009
Custa-me começar assim, mas a maré encheu. Morreu João Aguardela, baixista e fundador d'A Naifa. Não esquecendo a carreira anterior (Sitiados, Linha da Frente, Megafone), Aguardela deixa-nos agora a ouvir os três magníficos discos do "grupo de fados e guitarradas mais atípico de sempre", da "banda pop mais portuguesa da actualidade". É muito difícil a quem conhece não concordar que A Naifa foi (é?) a melhor banda que apareceu em Portugal desde há largos anos: onde mais a sonoridade consistente e moderna, a bravura das letras, a grande voz, a bateria possante, a guitarra portuguesa a libertar-se do mofo, e um baixo omnipresente a abraçar tudo isto? Em lado nenhum. Eram (são?) magníficos.
Nunca me hei-de esquecer de ver o João a fumar no palco do Aveirense, enquanto a sua guitarra descansava e a Maria Antónia cantava. Foi o melhor concerto que eu já vi.
Os milagres acontecemOs milagres acontecem é um poema de Ana Paula Inácio, in A Naifa, Canções Subterrâneas (2004).
a horas incertas
e nunca estou em casa
quando o carteiro passa
Hoje abriu a primeira flor
e eu disse é um sinal
olho em volta: estou só
trago esta sombra comigo
por Vitor Hugo | 0 comentário(s)
temas: Música
Down
16 de Janeiro de 2009
Down... Down... Down... More down... More down...More down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... Even more down... 
por L. Carvalho | 0 comentário(s)
temas: Perspectivas
Caprichos
12 de Janeiro de 2009
Los Caprichos de Goya, pouco conhecidos do grande público, apelam ao nosso sentido mais crítico.
E se ele os desenhou há mais de dois séculos, quantos não são ainda tão actuais?
Entre vaidades, crueldades e ignorâncias, os caprichos de Goya são a sátira humorística e intemporal daquilo que tem sido - e ainda vai sendo - o ser humano.
Sobre o desenho que aqui se partilha, Goya terá escrito - em espanhol, provavelmente -: "One cannot say whether he knows more or less; what is certain is that the master is the most serious looking person who could possibly be found."
Os jericos caprichosos do pintor espanhol têm muito a ensinar a boa gente. Estou a pensar em duas ou três personalidades que podiam beneficiar de umas lições...
Nota: Até ao mês de Fevereiro, o Museu Berardo apresenta uma leitura a duas vozes desta obra de Goya (intervenção literária de Michel Butor e plástica de Manuel Casimiro).
por L. Carvalho | 0 comentário(s)
temas: Pintura
